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15/02/2009 - RFB
Reestruturação gerou polêmica internamente
O Globo

BRASÍLIA. Um dos principais pontos de discórdia hoje na Receita Federal é o processo de reestruturação do órgão, que administrou quase R$ 700 bilhões em tributos em 2008. Segundo técnicos, a desorganização do Leão chega ao ponto de ainda não haver um regimento interno.

Ao assumir, Lina trocou nomes de cargos e subdividiu coordenações.

Vários auditores já foram nomeados, mas ainda não têm uma atribuição definida.

— Tem gente que chega para trabalhar sem saber o que tem que fazer — acusa um funcionário.

Para minimizar o descontentamento dos grupos rivais no Unafisco (sindicato da categoria), Lina propôs aos auditores um novo plano para a indicação a cargos de chefia. Ele se subdivide em diversas etapas para chegar ao final numa lista de cinco nomes. Um deles, então, seria escolhido para a função pela secretária.

No dia 10 de fevereiro, Lina publicou uma portaria afastando delegados e inspetores de uma série de cidades, afirmando que os cargos estavam vagos e entrariam no novo processo de seleção, o que deve levar 90 dias.

Entre os locais em que isso ocorreu estão Niterói, Manaus, Fortaleza e Cuiabá.

— Essas delegacias ficarão sem comando durante três meses — disse um técnico.

Visita ao Paraguai foi criticada A secretária teria considerado submeter ao processo de seleção até mesmo os nomes indicados para o cargo de adido tributário. Jorge Rachid, por exemplo, foi indicado por Mantega para a função em Washington.

No entanto, o ex-comandante do Fisco teria sido informado de que seria obrigado a participar de processo seletivo.

Além da avaliação dos currículos dos candidatos, a seleção também exigiria proficiência em idiomas, o que acabaria com as chances de Rachid, que não é fluente em inglês.

A decisão de submeter os indicados à seleção constrangeu os candidatos e desagradou Mantega. O processo acabou cancelado na semana passada, antes mesmo da publicação da portaria na intranet da Receita.

Segundo um auditor, a indicação de Rachid foi política, e não técnica. Porém, por ter comandado o Fisco por muito tempo, ele estaria preparado para assumir o posto. A nomeação oficial ainda deve demorar, pois a atual adida tributária nos EUA fica no cargo até junho.

O estilo de Lina também não ajuda. Embora evite dar entrevistas, a secretária já foi questionada por ter ido ao Paraguai quando visitou Foz do Iguaçu para um evento da Ponte da Amizade no fim de 2008. A defesa de Lina veio da própria delegacia de Foz, que informou que “nenhum cidadão é impedido de ir ao outro lado da fronteira desde que declare seus bens e não compre mercadorias ilegais”. (Martha Beck e Eduardo Rodrigues)


 
 
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