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Brasília, 30 de novembro de 2004

ANO IX

Nº 1770

 

 

Presidente do Unafisco retorna na abertura do Conaf 2004

“Depois de tudo o que passei, devido ao grave acidente do qual fui vítima, é com alegria que reassumo minhas atividades em pleno Conaf. A energia de vocês vai ajudar em minha recuperação”, disse Maria Lucia Fattorelli.

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O primeiro ato da presidente do Unafisco, que ficou dois meses afastada de suas atividades sindicais em virtude do acidente, foi a entrega ao secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, juntamente com o presidente do CDS, Alexandre Teixeira, da pauta salarial 2005. A pauta pede a implementação da tabela do Plano de Carreira aprovada pela categoria, com a paridade total entre ativos e aposentados. Ao convidar o presidente do Conselho de Delegados Sindicais, homenageou todos os delegados sindicais convocando-os para a luta por justiça e ética no sistema tributário, pois “só conseguiremos melhorias com o apoio da sociedade”. A partir desse apoio, afirmou, conseguiremos uma legislação, uma arrecadação e uma distribuição justas”, disse.

Acolhida carinhosamente pela categoria que a aplaudiu de pé, a presidente do Unafisco disse que é difícil falar em ética quando o ser humano deixou de ser o centro das decisões políticas, mas é fundamental a luta para que sejam desonerados o setor produtivo, os trabalhadores e os consumidores. “De que adianta tudo isso se aniquilarmos a própria vida?”, questionou. Segundo ela, é importante reverter o quadro dos crimes contra a ordem tributária, que tem grandes interesses por trás. “Temos de debater ética, senão continuaremos nos discursos vazios e não sairemos do lugar”, disse.

Para a presidente do Unafisco, os auditores estão atrelados ao processo insano de privilégio do capital. “Temos uma legislação injusta e em alguns aspectos confiscatória sobre a classe trabalhadora, que poderia impulsionar o crescimento”, explicou. Lembrando que o salário da categoria está atrelado a metas de arrecadação, ela questionou onde está a ética do modelo tributário. “A dignidade do nosso trabalho está sendo ferida, pois o fruto de nossa atividade vem sendo utilizado para fins injustos, como para o pagamento dessa questionável dívida”, pontuou.

Rachid avalia a importância do corpo funcional - Na avaliação do secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, o corpo funcional tem de ostentar os valores da Ética para que o órgão possa cumprir o seu papel inserido na Constituição Federal no artigo 42, o qual reconhece a essencialidade da Administração Pública Federal, com atividades exercidas por carreiras especiais. A reflexão sobre os temas deste Conaf, o livre debate e a troca de idéias, na avaliação do secretário, são símbolos de uma carreira forte e organizada. Ele afirmou que o órgão vem atuando para fortalecer o seu corpo funcional e citou como exemplo a constituição da Coordenação-Geral de Administração de Pessoal que, apesar de ainda estar saindo do papel, já é uma realidade na condução da gestão de pessoal na Receita. Representando a SRF, também esteve presente na mesa de abertura o superintendente da Receita Federal na 1ª Região Fiscal, Nilton Tadeu.

O deputado Ricardo Zaratini (PT-SP) destacou a importância dos AFRFs como instrumento de arrecadação tributária bem dirigida pela SRF, mas criticou a distribuição dessa arrecadação pelo Estado. “A arrecadação não é bem gasta. Um terço vai para o pagamento de juros, para o superávit primário. É um destino que permanentemente faz o Brasil ficar onde está”, afirmou o parlamentar. Para haver uma real retomada do crescimento econômico do país, é necessário que se resolvam duas questões básicas: a correção da tabela do imposto de renda e o aumento real do salário mínimo, em sua avaliação. “Nós temos de desonerar os assalariados”, defendeu Zaratini.

Para o presidente do Conselho de Delegados Sindicais, Alexandre Teixeira, o tema do congresso é oportuno. “Nunca foi tão necessário debater a ética em todos os campos”, destacou, ao lembrar que o objetivo do fórum dos AFRFs é discutir a ética individual e comportamental, mas, também, a ética institucional. “Esperamos um excelente debate para ajudar a aprimorar a ética na atividade sindical, na administração tributária e na administração pública”.

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O presidente da DS/Brasília, Damião Benvinda, destacou a importância do evento para os debates da categoria e para traçar estratégias de ação. “A melhor lição de cada Conaf é a unidade como entidade sindical. Na última década, temos resistido às reformas neoliberais”, disse. De acordo com o delegado sindical é muito importante para os AFRFs saberem o que o Brasil espera da categoria e cumprir esse papel.

Mais de 230 colegas participaram da abertura do Congresso na noite de 28 de novembro. Com o tema central “Justiça e Ética no Sistema Tributário e na Administração Pública”, o maior evento da categoria deverá reunir até o dia 4, data de seu encerramento, mais de 300 AFRFs, ativos e aposentados, de todo o país, além de pensionistas. O tema está sendo aprofundado em cinco painéis de palestras seguidas por debates e também nas 11 oficinas propostas pela Comissão Organizadora. Além disso, serão discutidas e votadas no congresso as teses de colegas e propostas de alterações estatutárias.

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DEN lança campanha “Fiscais em Ação”

A campanha de valorização do papel do auditor-fiscal da Receita Federal, Fiscais em Ação, foi apresentada no início da noite de ontem com a presença dos colegas delegados e observadores do Conaf e dos quatro parlamentares convidados a palestrar no painel Ética e Política, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) e os deputados federais Walter Pinheiro (PT-BA), juíza Denise Frossard (sem partido-RJ) e Miro Teixeira (PPS-RJ).

O diretor de Assuntos Parlamentares Pedro Delarue, que coordenou a mesa daquele painel, explicou aos presentes o objetivo da campanha e apresentou a cartilha produzida pela categoria já como uma ação propositiva do Fiscais em Ação para uma tributação com distribuição de renda e justiça social.

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Em seu discurso, Pedro mostrou a base ética sobre a qual está assentada a proposta do Fiscais em Ação, que é a da categoria: “ Devemos realizar a crítica e promover essa discussão. Entretanto, assim como a nossa função não pode ser reduzida à de servidores de governos, não nos cabe a tarefa de promover o desgaste dos governantes. Temos de fazer a crítica responsável, construtiva e propositiva. Sabemos que essa é uma situação antiga e que não podemos mudá-la da noite para o dia. Temos de criar os mecanismos que possibilitem as mudanças necessárias, e entender que a construção de uma ordem tributária justa requer medidas de curto, médio e longo prazo”, declarou.

A cartilha “Contribuição dos Auditores-Fiscais da Receita Federal para o Debate Tributário”, que está disponível na página do Unafisco no banner do Conaf 2004, é a primeira contribuição da campanha para essa discussão. Nela, o Unafisco defende o fim o tratamento desigual conferido ao capital frente à renda do trabalho e ao consumo, especialmente por leis fixadas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Pedro concluiu a apresentação da campanha afirmando que “essa campanha deixará claro o verdadeiro papel dos auditores-fiscais, que não estão contra ou a favor de governos, pois como servidores da sociedade não é isso que nos cabe. Estamos, isso sim, e decididamente, do lado do Brasil, do lado do brasileiro”, finalizou.

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UNAFISCO NA MÍDIA
Fiscais em Ação no Jornal Nacional

O primeiro estudo da campanha Fiscais em Ação ganhou destaque ontem em diversos veículos de comunicação. O Jornal Nacional apresentou uma matéria com entrevista do diretor de Assuntos Parlamentares, Pedro Delarue, apontando os resultados do diagnóstico feito pelo Unafisco sobre a carga tributária no Brasil.

O tema também foi destaque no Folha Online e rendeu diversas entrevistas, como para os jornais O Tempo e Jornal do Brasil, bem como para as rádios Band e CBN. Publicaremos amanhã a cobertura completa da mídia.

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Vídeo mostra falta de transparência do sistema tributário brasileiro

Após a abertura do IX Conaf, o Unafisco apresentou o documentário “Tributo Bra$il”, que teve como objetivo fazer uma síntese da luta da categoria nos últimos anos. Organizado e produzido com o apoio da colega Lourdes Gutierres, que também presidiu a DS/São Paulo e é membro da comissão organizadora do Conaf, o vídeo teve como destaque o depoimento de representantes do povo e a sua percepção sobre questões tributárias aplicadas no seu dia-a-dia. “Nós ouvimos a voz do povo, que está sendo sufocado, que não tem voz. Nós queremos medidas concretas, sem demagogia, que reverta esta realidade”, afirmou a AFRF. O documentário apresenta dados como: 1% da população mais rica fica com 10% da riqueza nacional; 9,7% da população brasileira está desempregada; a queda da renda da população brasileira é da ordem de 18,8%; 25% da carga tributária é sobre a renda; e 4% sobre o patrimônio.

O documentário também destacou o valor de tributos cobrados indiretamente no consumo: 45,81% da conta de energia é para pagar tributo; 40,5% do valor do papel higiênico vai para o Fisco; 42% do total do preço do sabonete é imposto. A transparência da administração tributária impediria essa dominação passiva.

Depois do vídeo, com o patrocínio da DS/Brasília, foi apresentado um repente por um artista local fazendo um paralelo entre Lampião e os atuais estelionatários brasileiros.

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Injustiça tributária impede crescimento econômico

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Com uma carga tributária de primeiro mundo e pouca receita para a produção nacional e políticas sociais, o Brasil enfrenta um cenário de poucas perspectivas de crescimento econômico. Essa é a conclusão das apresentações do primeiro painel do Conaf, “Conjuntura Nacional e Ética”, que foi mediado pelo primeiro vice-presidente do Unafisco, Marcello Escobar, e contou com as palestras do diretor e editor do Correio da Cidadania, Plínio Arruda Sampaio, do vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Aristoteles Atheniense, e do historiador belga Eric Toussaint, presidente do Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM).

Marcello Escobar traçou o panorama da injustiça fiscal no Brasil lembrando a carga tributária, com peso de primeiro mundo e incidência basicamente sobre o trabalho e o consumo. O diretor defendeu o fortalecimento da fiscalização da Receita Federal e lembrou que enquanto a instituição possui 7,6 mil AFRFs, só no estado de São Paulo, a Secretaria de Fazenda conta com 4 mil fiscais. “Diga-se de passagem, com uma remuneração bastante superior à nossa”, pontuou. O primeiro vice-presidente do Unafisco defendeu o fortalecimento da fiscalização da SRF para se ter condições e pessoal suficiente para ir atrás daqueles que burlam a lei para fugir do que podem e devem pagar. “Temos de resgatar o papel de essencialidade da carreira ao Estado, temos de pensar uma política nesse sentido e colocá-la em prática”, afirmou. Tais mudanças devem estar assentadas sobre a ética e a justiça, que representam as suas bases seguras, na sua avaliação. Essa transformação deve atingir inclusive a cultura interna da Receita Federal, para que não haja mais espaço no órgão a todo tipo de assédio moral e de perseguição a colegas, seja por meio de avaliações de desempenho, seja por transferências imotivadas.

O vice-presidente da OAB, Aristoteles Atheniense, disse que identificou grande similaridade entre a luta exposta pelo Unafisco e a luta da OAB. “Uma das principais preocupações da OAB é com a chamada corrupção endêmica e sua justificativa”, disse.

Ele ressaltou que, embora haja muita lei no Brasil, a impunidade é alta. “Lamentavelmente, em todo país onde há muita lei, é sinal de que não existe direito”, afirmou ao defender a ética no exercício público. Segundo Atheniense, a OAB questiona a política de desvio de recursos para o pagamento da dívida pública. “No Brasil não sabemos quanto devemos e por que devemos”, disse. Segundo ele, a OAB irá mover uma ação judicial para saber do andamento da dívida interna.

Ética e sacrifício – Para Plínio de Arruda Sampaio, que discutiu a conjuntura nacional e a ética, do ponto de vista da economia, o Brasil vive hoje uma certa tranqüilidade econômica, com um cenário internacional favorável. “Se não acontecer nada lá fora, e isso é que é o difícil, cresceremos a uma média de 4%, a inflação ficará na ordem de 7%”, disse ao lembrar que, mesmo diante deste cenário, uma pesquisa mostra que um milhão de famílias de classe média perdeu esta condição. “Vivemos, por falta de uma política social efetiva, uma escalada de violência e destruição do tecido social”, destacou. Fundador do PT, mas crítico do atual governo federal, Plínio Arruda acredita que o Partido dos Trabalhadores não construiu o apoio popular necessário para promover políticas de alteração. “Não digo para fazer alguma coisa radical, porque o capital estrangeiro vai fugir daqui e irá desestabilizar nossa produção, mas temos de enfrentar certos problemas um dia”, destacou.

bol1770Para Plínio de Arruda, o Brasil vive uma conjuntura difícil e está na hora da Ética. “Ética sem sacrifício não existe. É um ato moral a escolha entre o que me favorece e o que beneficia a todos”, ressaltou ao defender que se construa uma alternativa que garanta a ruptura com a desigualdade social brasileira. “Isso exigirá renúncia e sacrifício, mas é o que constrói uma pátria, uma nação”, avaliou.

 

Concentração de renda destrói poupança interna – O historiador Eric Toussaint destacou em sua fala que o problema central do Brasil não é a poupança interna, que existe, mas a “fantástica concentração de renda” que impede que este capital seja aplicado em atividades produtivas. O intelectual belga lembrou que o contato com o Unafisco começou já há alguns anos e que em 2002, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, foi convidado pelo Sindicato, para participar de uma de suas atividades. Crítico da dívida externa do terceiro mundo, Toussaint destacou o perfil do empréstimo feito atualmente pelo governo brasileiro. “É empréstimo para refinanciar antigas dívidas, ele não gera emprego, não melhora o sistema de saúde”, disse.

bol1770E o que teria o Unafisco Sindical a ver com essa questão? Perguntou em sua palestra. Segundo ele, tudo. Já que a receita fiscal está indo pagar esta suposta dívida enquanto o assalariado, e até mesmo os pobres, mesmo sem emprego, pagam alto por tributos sobre consumo. Outro problema destacado pelo historiador são as altas taxas de juros. “Com taxas superiores a 15%, é muito mais rentável e racional para o capitalista brasileiro emprestar dinheiro que investir em produção”, afirmou. “O problema do Brasil não é insuficiência de poupança, mas um problema de estrutura de classe”, concluiu o especialista.

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Tributação em debate no primeiro painel

O painel “Tributação e Administração Tributária”, o primeiro realizado ontem, expressou uma rica variedade de tendências de pensamento sobre o tema, como assinalou na abertura dos trabalhos o coordenador do debate, Rogério Said Calil, diretor de Defesa Profissional.

Andréa Lemgruber Viol, coordenadora-geral de Política Tributária da SRF, abriu o painel abordando a interdependência entre política e administração tributária. Para ela, o dilema e o objetivo da política tributária estão na equalização dos princípios de eficiência econômica e de eqüidade e justiça social, somados ao papel da Administração em fazê-la com simplicidade e a um baixo custo.

A partir de estatísticas sobre os últimos dez anos no Brasil, Andréa explicou que houve um misto de políticas tributárias com eficiência e neutralidade, com foco na arrecadação. Sobre o tributo sobre o consumo, afirmou que “estamos saindo da tributação em cascata, rumando gradativamente para a não-cumulatividade”.

Administração Tributária – “A Receita deu um grande salto ao migrar da administração tributária do século XX para a administração tributária do século XXI”, justificou Andréa, ao ressaltar avanços nos processos digitais, na visão de integração jurisdicional em vez de segregação jurisdicional e no olhar focado nas demandas do contribuinte.

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Para a coordenadora, a carga tributária no Brasil representa o aumento do esforço para o financiamento de políticas públicas. Contudo, a tendência percebida já em 2003 é de estagnação. O Brasil é o 16º país na lista da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em carga tributária, com 35,6% do PIB no ano passado. Apesar de reconhecer que o Brasil possui uma alta carga tributária para o seu nível de desenvolvimento e que países pobres geralmente tributam de forma regressiva mais o consumo do que a renda, Andréa fez questão de assinalar que uma das dificuldades é a forte concentração de renda no Brasil, o que não permite uma base ampliada para tributação.

Desafios – Ela destacou como um dos principais desafios a necessidade de uma visão integrada entre política e administração tributária. “A carga tributária é alta. Devemos utilizar isso como uma vantagem para melhorar a qualidade da carga tributária”, defendeu.

Segundo Andréa, a mentalidade da Receita não pode estar restrita à arrecadação, e sugeriu o desafio de medir a eficiência da instituição por outros indicadores que não apenas a arrecadação. “A participação da SRF e a eficiência do nosso trabalho são importantes para promover o desenvolvimento econômico e social sustentável”, concluiu, lembrando que estamos em um momento privilegiado para repensar a tributação a longo prazo.

O segundo convidado a palestrar foi o secretário-geral da Federação dos Funcionários Aduaneiros e de Arrecadação Fiscal do Mercosul (Frasur), Américo Pereira Rodi. A Frasur está saindo de um processo embrionário e reúne organizações sindicais e sociais dos países do Mercosul (Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina), além do Chile e da Bolívia, explicou Rodi. O Unafisco é o representante da Frasur no Brasil.

Segundo Rodi, um dos objetivos da Frasur está em propor aos estados políticas de capacitação que envolvam transparência na carreira, remunerações justas e a participação dos trabalhadores nas reformas normativas.

Ele destacou que a Administração da Legislação Aduaneira deve levar em conta os valores de eqüidade e integração, aplicação justa dos tributos e a garantia do ressarcimento ao contribuinte. “Nossas organizações podem ajudar a melhorar a qualidade de vida não somente dos trabalhadores tributários, mas também de todos os contribuintes”.

O economista Fernando Antônio Rezende da Silva iniciou sua apresentação dizendo que é uma tarefa de toda a federação, e não somente do governo federal, construir uma tributação justa e ética, tema central deste Conaf.

Segundo ele mesmo definiu, há 15 anos o Brasil avançou no princípio da “comodidade” tributária. “Os políticos e dirigentes se acostumaram a uma política danosa de concentrar tributos e a uma visão de que o imposto deve ser invisível e indolor”, provocou. Para romper com essa política comodista, Fernando destacou sete desafios:

  • Competitividade para garantir que o Brasil vá para frente e o setor produtivo seja capaz de sobreviver. “Com o sistema tributário tal qual está hoje, o setor produtivo não sobrevive”, avaliou.
  • Coesão – Segundo o economista, o acirramento de conflitos entre federação, estados, municípios e contribuintes impede efetivamente a reforma tributária porque a desconfiança é geral.
  • Autonomia – “Dificilmente vamos ser capazes de manter por mais tempo um universo fiscal de 27 estados.”
  • Responsabilidade – Destacou o equilíbrio das contas públicas e a co-responsabilidade do contribuinte.
  • Transparência – “Para que haja ética no sistema tributário é preciso clareza na prestação de contas do Estado e na aplicação dos impostos.” Ele ressaltou que nenhum brasileiro sabe exatamente o quanto paga de impostos. “Já não é mais nem caixa preta, é um contêiner preto”, brincou.
  • Garantias – O imposto deve ser objeto de lei e as leis tributárias devem ser estáveis, respeitando o princípio de proteção ao contribuinte.
  • Eqüidade – A tributação deve ser justa. E como avançar na construção de uma política tributária justa? A Constituição de 1988 apresentou a demanda por descentralização de receitas, mas não avançou na distribuição de recursos. Por exemplo, segundo dados de 2000, o orçamento do estado por habitante no Maranhão representa metade do orçamento por habitante de Sergipe. Ele enfatizou que a situação nos municípios é ainda pior. Para ele, é necessário implementar um sistema de cooperação governamental em todas as esferas para o desenvolvimento da educação, saúde, segurança e modernidade institucional.

“O Brasil vai poder criar um sistema tributário justo e ético se conseguirmos manter neste país menos desigualdade entre as pessoas e as regiões”, concluiu, apostando na recomposição de um modelo federativo fiscal que viabilize a proposta deste seminário.

Necessidade de fortalecer a carreira - O economista e AFRF aposentado Roberto Piscitelli destacou a importância da categoria, que se distingue no Brasil por várias razões, como o alto grau de conscientização política, mas lamentou o fato de muitos colegas não compreenderem a importância do fortalecimento das carreiras. Segundo o colega, que é consultor da Câmara dos Deputados, a administração tributária deve ter servidores atuando com isenção, com uma legislação que seja expressão concreta da política tributária. “É difícil admitir, mas o que existe hoje no Brasil é um caos político. Produzem-se leis em todas as direções, atendendo a interesses localizados. Dessa forma, medidas transitórias se transformam em permanentes e vice-versa”, disse.

Com essa atuação no Legislativo, constata Piscitelli, a Receita Federal renunciou, há muito tempo, de sua competência de ao menos subsidiar a política tributária. Ele destacou o confisco decorrente da não-correção da tabela do imposto de renda. “A Receita chama de perda o que deveria devolver desde 1998”, observou. Para o colega aposentado, é necessário mudar a política monetária, ter coragem de mexer na política econômica para se fazer uma eficiente política tributária. “Espero que nesta semana a gente discuta não apenas salário, mas o efeito das políticas tributárias e seu reflexo nas correlações de força do país”, declarou.

Tributação justa – O secretário nacional do Sindicato Nacional Unificado dos Impostos da França (Snui), Vicente Drezet, foi o segundo participante internacional do painel da manhã de ontem. O colega francês representa 80 mil servidores da direção-geral de impostos, cerca de 10 mil da direção-geral de contabilidade e cerca de 22 mil da direção-geral de alfândega. Mesmo diante de evidente diferença de valorização do pessoal entre um país e outro, o sindicalista identifica um eixo de luta comum entre o Snui e o Unafisco. “Temos de trabalhar no contexto de defender a idéia de tributação justa repartida de acordo com a capacidade contributiva de cada cidadão”, defendeu.

Drezet explicou o funcionamento do sistema tributário francês, que tem 80% da arrecadação proveniente do imposto sobre valor agregado, ou seja, sobre o consumo, e 17% das receitas provenientes da tributação sobre a renda, que é feita de forma progressiva. Para ele, a educação fiscal é uma responsabilidade que, além da instituição, no caso do Brasil, da Receita Federal, deve envolver entidades como o Unafisco. “O imposto mal entendido é uma ameaça à democracia. Temos de explicar à população o que ela paga e para onde vai o imposto”, defendeu.

O sindicalista francês também criticou os paraísos fiscais e a sonegação. Segundo ele, essa prática na França está estimada em 40 milhões de euros, que deixam de ser aplicados em políticas sociais e econômica. “Temos de fazer um intercâmbio de informações, de discutir o que são bens públicos mundiais. Cooperar é mais justo e mais eficiente que a guerra, mesmo que na esfera econômica”.

Ruptura com pressão – O último palestrante do painel de ontem foi o colega aposentado Fernando Marsillac, membro da comissão que organizou o Conaf e ex-presidente do Unafisco. Para ele, o longo processo de crescimento da carga tributária do Brasil, conforme comprovado pela própria história mundial, só pode ser interrompido se houver uma resistência organizada da sociedade. “Muito mais importante que a carga tributária que está no limite é a situação perversa da distribuição dessa carga”, afirmou ao lembrar que o assalariado paga em torno de 40% de sua renda em tributos, ou seja, de cada dez meses trabalhados, dois são para pagar impostos. “E o mais trágico é que ele não provê as necessidades básicas de sua família”, ressaltou. O colega comparou o Estado com o Leviatã, de Hobbes. “O Estado atua como Leviatã e, muitas vezes, o contribuinte é a vítima maior da realidade”, disse. Na avaliação do AFRF aposentado, é importante a mobilização da categoria para atuar como instrumento de pressão contra esta lógica tributária perversa no Brasil.

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Livro De bem com o leão em segunda edição

Os direitos e deveres do contribuinte Pessoa Física em relação ao Fisco federal são o tema central do livro De bem com o leão, lançado em segunda edição pelo colega Jorge Celso Freire da Silva, de Juazeiro do Norte (CE).

A obra é patenteada e, segundo o colega que é lotado na Delegacia da Receita Federal em Juazeiro, deverá ser atualizada ano a ano.

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AFRF lança CD com suas composições

O colega Jorge Sales, diretor de Assuntos dos Aposentados e Pensionistas da DS/Vitória, está lançando juntamente com Rubenio Marcelo, que é policial federal, um CD com 15 composições da dupla. As músicas em estilo MPB são interpretadas por cinco cantores e trazem em suas letras temas como amor, paz, amizade, bem como cantam as belezas do Brasil, como a do “Rio de Janeiro” e a de “Santa Leopoldina”.

Os telefones de contatos da dupla de compositores são (67) 9982-5269 e (27) 8114-4166.

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