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Brasília, 28 de janeiro de 2004

ANO IX

Nº 1562

 

 

Mais delegacias sindicais aderem com força total ao abaixo-assinado pelo reajuste

Mesmo com muitos colegas em período de férias, diversas delegacias sindicais estão trabalhando a todo o vapor para coletar o maior número possível de assinaturas para o abaixo-assinado em favor do nosso reajuste emergencial. É o caso das DSs Uruguaiana e Foz do Iguaçu. Na semana passada, a DS/Foz começou a circular o material e a coletar assinaturas na DRF, Eadi, PIA, Nupei, entre outras divisões, e, por onde passou, "todos os colegas aderiram ao documento". O material para assinatura também foi encaminhado à inspetoria de Guaíra e Santa Helena, no Paraná.

A DS/Cuiabá, juntamente com a representação do Unafisco no Acre, também está na batalha para obter o maior número possível de assinaturas no documento que deverá ser entregue aos superintendentes da RF e ao secretário Jorge Rachid.

Em Maceió (AL), a coleta das assinaturas já está em estágio avançado, devendo estar finalizada nos próximos dias.

INÍCIO

Unafisco volta a cobrar da Administração o pagamento de pendências financeiras

A segunda vice-presidente do Unafisco Sindical, Ana Mary da Costa Lino Carneiro, e as diretoras de Assuntos dos Aposentados e Pensionistas, Maria Benedita Jansen e Clotilde Guimarães, retomaram ontem a negociação com a administração para o pagamento de pendências devidas aos AFRFs aposentados e aos pensionistas.

Em audiência com a subsecretária de Orçamento, Planejamento e Administração do Ministério da Fazenda, Gildenora Milhomem, e com o coordenador-geral de Recursos Humanos do Ministério da Fazenda (COGRH/MF), Celso Martins de Sá Pinto, foram cobrados os atrasados da GDAT e uma posição sobre a situação dos anuênios. Quanto a este último, Sá Pinto reiterou a necessidade de as Gerências Regionais de Administração (GRA) enviarem à COGRH a relação dos AFRFs que ainda não receberam o devido. No caso da GDAT, continuam as negociações para que o seu pagamento ocorra o mais rapidamente possível.

INÍCIO

CCJ promove audiência pública sobre PEC Paralela

A Comissão de Constituição e Justiça e Redação da Câmara dos Deputados (CCJ) aprovou para a próxima terça-feira, dia 3 de fevereiro, a audiência pública sobre a PEC 227, a Paralela. Os nomes dos convidados serão definidos até hoje pela comissão. O relator da matéria, deputado Maurício Rands (PT-PE), irá apresentar seu relatório na próxima quarta. Há previsão para vista ao relatório na quinta e na sexta-feira da próxima semana, ficando a discussão da matéria e voto previstos para os dias 10 e 11 de fevereiro.

INÍCIO

Sindicato tem audiência com Greenhalgh e Rands

Representantes do Unafisco Sindical e de demais entidades de servidores públicos que fazem trabalho parlamentar conjunto em relação à PEC Paralela têm uma audiência hoje, a partir das 9h30, com o presidente da CCJ, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), e o relator da matéria, deputado Maurício Rands (PT-PE). Os servidores cobrarão um cronograma definitivo de tramitação da PEC Paralela na CCJ e pedirão informações sobre o parecer do deputado Rands.

Os servidores irão encontrar-se em seguida com o novo líder do governo na Câmara, deputado Miro Teixeira (RJ), para reafirmar a necessidade de o governo cumprir o acordo com o Senado para minimizar os efeitos da Emenda Constitucional 41, da reforma da Previdência, com a PEC Paralela. Os servidores cobrarão, ainda, um acordo de líderes que estabeleça um cronograma da PEC 227 durante a tramitação na Comissão Especial e no plenário. Ontem, o deputado Walter Pinheiro (PT-BA) afirmou ao primeiro vice-presidente do Unafisco, Marcello Escobar, que o governo irá empenhar-se em cumprir o acordo feito com os servidores durante a tramitação da reforma no Senado.

INÍCIO

Mosap não participa de cerimônia de posse de novo ministro da Previdência

O Instituto Mosap, organização que congrega 700 entidades representativas de servidores públicos aposentados, enviou uma carta ao ministro da Previdência empossado ontem, Amir Lando, agradecendo o convite feito para a cerimônia de sua investidura no cargo e justificando a ausência por conta do trabalho parlamentar em torno da PEC Paralela. O Mosap resolveu priorizar as reuniões de articulação com outras entidades, visando à defesa de direitos de aposentados e pensionistas.

Foi enviada também uma carta ao ministro Ricardo Berzoini, que agora assume a pasta do Trabalho, desejando-lhe uma feliz gestão à frente daquele ministério e com esperança de que suas posições sejam diferentes daquelas assumidas durante a reforma da Previdência, quando os servidores foram duramente atingidos pelas medidas aprovadas no Congresso.

Durante a reunião ordinária do Mosap, realizada ontem, foi deliberado que o instituto não apresentará emendas à PEC Paralela, mas deve apoiar as iniciativas de parlamentares e entidades que beneficiem os servidores aposentados e pensionistas. O Unafisco foi representado pela segunda vice-presidente, Ana Mary da Costa Lino Carneiro, e pelas diretoras de Assuntos dos Aposentados e Pensionistas, Maria Benedita Jansen Saraiva e Clotilde Guimarães.

As cartas enviadas aos ministros encontram-se anexas.

INÍCIO

Reajuste emergencial: diretoria da DS/Ceará discorda da forma de condução

Num documento encaminhado à DEN ontem, a DS/Ceará manifestou-se contrariamente à coleta de assinaturas em favor do "reajuste emergencial" da categoria. Os diretores da delegacia sindical pedem a publicação do texto neste Boletim, o que fazemos logo abaixo.

Antes disso, por respeito aos interesses da categoria, que esta DEN coloca em primeiro lugar, consideramos de extrema importância esclarecer os cinco pontos levantados na carta daquela delegacia sindical:

- No primeiro ponto da carta, os diretores da DS afirmam que não houve a construção de propostas de movimento que justificassem o abaixo-assinado sugerido pela DEN, "o que representa um retrocesso no modelo de trabalho sindical praticado pelo Unafisco", afirmaram. Lembramos que, no último dia 21, encaminhamos a todas as DSs não somente uma mensagem com a proposta do abaixo-assinado, mas também uma carta, na qual a DEN prestava pontualmente às DSs uma série de esclarecimentos sobre sua atuação com vistas ao reajuste emergencial.

Por conter informações estratégicas acerca justamente de algumas formas de mobilização sugeridas pela DEN, tivemos o cuidado de não veicular publicamente todas as propostas contidas na carta, para não colocar nosso pleito em risco. Obviamente, as informações estão disponíveis a todos os associados, bastando que procurem suas respectivas DSs. Acreditamos que seria de grande primarismo político divulgar nossas estratégias por meio de nosso Boletim.

Na carta aos delegados sindicais, frisamos que a iniciativa do abaixo-assinado, por nós sugerida, "teria o caráter preliminar (grifo nosso) de mobilizar a categoria em torno do assunto". Em nenhum momento tivemos a pretensão de iniciar um movimento pelo fim, ou mesmo de alijar nossos colegas dessa discussão. Em nossa mensagem às delegacias, afirmamos ainda: "No aguardo de sugestões sobre o aprimoramento do encaminhamento acima exposto e de outras possíveis ações no sentido de dar agilidade ao pleito em questão". Ou seja, em todo momento tivemos a preocupação de fazer o movimento crescer passo a passo, o que foi compreendido pela maioria das delegacias sindicais do país. A DS/Divinópolis, em mensagem enviada aos seus associados, que publicamos anexa, ressalta que "em face da constatação de que o atual governo abraçou o projeto e a política econômica de seus antecessores, temos que nos preparar para uma negociação difícil e desgastante. Mesmo assim, entendemos que não devemos vulgarizar instrumentos extremos como a paralisação das atividades. Logo, o processo deve seguir uma cronologia de ações que engaje a categoria e deixe registrado de forma indelével nossa disposição para buscar nossos pleitos".

Sobre o tema reajuste emergencial, publicamos, ainda, matérias em nosso Boletim Informativo, edições 1440, 1454, 1469, 1485, 1492, 1503, 1506, 1532, 1533, 1534, 1539, 1543, 1544, 1547, 1550, 1551, 1558, 1559, 1560 e 1561. Além disso, no último CDS, foram apresentadas todas as iniciativas empreendidas pela DEN, até então, no sentido de obter um reajuste emergencial para os AFRFs.

- No item 2 de sua carta, a diretoria da DS/Ceará refuta a informação de que os AFRFs tiveram "reajuste remuneratório" entre 1999 e 2003. Não podemos deixar de lembrar que, em 2002, o governo FHC concedeu reajuste linear de 3,5%, e, que, no ano passado, o governo Lula, aumentou em 1% os salários, reajuste esse que, já no abaixo-assinado, frisamos ser totalmente incompatível com a alta do custo de vida no mesmo período.

- No item 3 do documento, os diretores da DS/Ceará levantaram uma pena jurídica contra uma tese política da categoria, ao afirmar que, "segundo a Constituição Federal (art. 37,X), reajustes salariais não podem ser dados a uma carreira específica, devendo-se, portanto, tratar o tema como propositura de reestruturação da carreira". Ora, não se trata aqui de reivindicação ilegal ou injusta. O reajuste emergencial é uma necessidade, não se pode fazer esperar, e devemos convencer os órgãos decisórios disso. A diretoria da DS/Ceará não pode ignorar que inúmeros colegas estão no cheque especial, após assistirem à drástica queda de sua renda. Não importa, portanto, o nome que o governo dará ao reajuste emergencial. À categoria interessa que ele seja conquistado.

- No 4º tópico, os diretores declararam que a categoria não teria conhecimento de que o secretário Rachid tivesse encaminhado o nosso pleito ao ministro Antonio Palocci e mesmo quais seriam os termos dessa reivindicação. Estranhamos essa declaração, pois na carta enviada pela DEN, que a DS/Ceará seguramente recebeu, estão devidamente esclarecidos os termos da proposta sinalizada pela administração da SRF (reajuste emergencial nos termos da Polícia Federal) e seu encaminhamento ao ministro da Fazenda "que até agora não se posicionou de forma definitiva sobre ele". Também na edição 1533 do Boletim, a DEN noticiou que o secretário havia declarado a sua concordância com o nosso pleito e o encaminhado ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Na edição 1539, informamos que, por intermédio do secretário Jorge Rachid, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) tomou conhecimento de que o pleito do Sindicato já estava nas mãos do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

- No último item da carta, de número 5, a diretoria da DS/Ceará vem a público afirmar que a entrega do abaixo-assinado, considerado de "conteúdo vago", significaria dar carta branca ao governo para "reformular a carreira de AFRF". O abaixo-assinado proposto é extremamente claro quando pede apenas e tão-somente o empenho dos administradores no sentido de transmitir "à alta administração da SRF e do Ministério da Fazenda nosso pleito de uma solução rápida para a referida questão salarial que tanto aflige a todos nós". Não há, portanto, qualquer "carta branca". O pleito é específico.

Na parte final da carta, a DS/Ceará pergunta que proposituras acredita a DEN tenham chances de sucesso no "projeto que intitulou 'Reajuste Emergencial Já'". Ora, evidentemente, as chances de sucesso do nosso pleito dependerão, antes de mais nada, do nível de mobilização e engajamento da categoria, tarefa para a qual vimos conclamando desde o ano passado todas as DSs, inclusive a DS/Ceará.

Finalmente, quanto ao pedido de Assembléia Nacional contido na carta, lembramos que na correspondência da DEN às DSs informamos que pretendemos convocar não apenas uma Assembléia, como propor uma reunião do CDS para tratar da nossa reivindicação.

Diante disso, a DEN conclama a DS/Ceará a manter a unidade nas lutas de interesse da categoria, ainda que democraticamente decida não fazer correr o abaixo-assinado. Entretanto, esta Diretoria entende que, também de forma democrática, os colegas lotados na DS/Ceará devem ser chamados para debater sobre essa questão.

A batalha será dura, e apenas a unidade nos capacita a mantê-la pelo período necessário para o seu bom êxito. Para tanto, é necessário desarmar os espíritos e mirar única e exclusivamente os interesses da nossa categoria, que, por parte desta DEN, como dissemos inicialmente, serão sempre colocados em primeiro lugar.

Carta da DS/Ceará
Fortaleza, 23 de janeiro de 2004

À
Diretoria Executiva Nacional do UNAFISCO SINDICAL
Brasília-DF

 

Prezados Senhores,

A DS-Ceará, em reunião realizada na manhã de hoje, ampliada pela presença de alguns associados, deliberando sobre a proposta encaminhada pela DEN, da feitura de um abaixo-assinado por parte da categoria dos AFRF para entrega aos delegados de Receita Federal, como forma de posicionamento da categoria e com o fito de obter um reajuste salarial emergencial, considerou que:
1.Não houve, por parte da DEN, a construção de propostas de movimento que justificasse o abaixo-assinado, o que representa um retrocesso no modelo de trabalho sindical praticado pelo Unafisco;
2.O texto proposto não condiz com a realidade dos fatos, uma vez que não houve "reajuste remuneratório" específico para os AFRF entre 1999 e 2003. O que ocorreu, em verdade, foi uma reestruturação da carreira ARF, imposta por meio de uma fórmula engendrada pelos dirigentes da SRF na época, que trouxe poucas vantagens, e só para alguns segmentos da categoria, ao tempo em que causou graves prejuízos para o conjunto dos AFRF (incluindo os aposentados) e o futuro da carreira, em razão de um achatamento brutal da remuneração inicial, quebra da paridade, retirada da autonomia dos AFRF, submissão de parte da remuneração à avaliação subjetiva de desempenho e por curva forçada, dentre outros, cuja reversão exigiu quatro anos de luta permanente, construída a partir da união da categoria, com muita transparência e participação de todos na definição de uma pauta mínima que unificasse aquela luta;
3.Segundo a Constituição Federal (art. 37, X), reajustes salariais não podem ser dados a uma carreira específica, devendo-se, portanto, tratar o tema como propositura de reestruturação da carreira;
4.A categoria não "tem conhecimento" de que o SRF tenha encaminhado proposta qualquer ao Ministro da Fazenda e, ainda que exista, desconhece os seus termos;
5.Entregar abaixo-assinado de conteúdo vago, sem propostas claras quanto ao que possa daí advir, representaria dar carta branca ao Governo para reformular a carreira de AFRF, sem a participação democrática da nossa categoria.
Com base nessas considerações, a DS-Ceará decidiu vir a público, diante da categoria dos AFRF, para deixar claras suas posições, mediante publicação deste texto no Boletim Informativo do Unafisco, dizendo que se abstém de prosseguir com a proposta de abaixo-assinado até que a DEN, de forma transparente, especifique a seus associados que deliberações tem tomado, que encaminhamentos tem feito e que proposituras acredita tenham chances de sucesso nesse projeto que intitulou "Reajuste Emergencial Já!".
Ao mesmo tempo, decidiu encaminhar pleito para que a DEN convoque, o mais breve possível, uma Assembléia Nacional para esclarecimentos à categoria, com informações claras das propostas concretas que tem o Governo em relação à questão salarial dos AFRF, para que se possa construir uma pauta de negociações e estabelecer formas de luta.

 

Saudações sindicais,

Ítalo Balreira de Aragão

Presidente

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FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Unafisco fala sobre justiça fiscal e social no IV FSM

O Unafisco participou da quarta edição do Fórum Social Mundial de maneira intensa. Oficialmente, o Unafisco era responsável pelas oficinas "Justiça fiscal e social versus endividamento e lavagem de dinheiro", na qual foram abordados os temas relacionados à questão tributária, com ênfase na liberalização dos movimentos de capitais; e "Os passos da auditoria cidadã: uma experiência brasileira", que difundiu internacionalmente o que vem sendo feito a respeito desse tema no Brasil.

O Sindicato também foi convidado a participar de uma oficina intitulada "Como financiar o desenvolvimento humano sem dívidas" e de duas conferências, uma delas via internet, que tratou do tema da justiça fiscal, comércio justo e o papel da sociedade civil no mundo atual. Além dessas atividades, os representantes do Sindicato ainda participaram de diversas reuniões com outras entidades do movimento social, em especial com aquelas que realizaram parcerias em alguns eventos, como o caso da Ação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos

(ATTAC), dos representantes da Campanha Jubileu Sul e do Fisco Francês.

Os temas tratados pelo Sindicato nas duas oficinas foram apresentados antecipadamente para os participantes do evento numa cartilha com versões em português e inglês. Exemplares da publicação - que se encontra disponível no Quadro de Avisos da página do Sindicato - foram levados para Mumbai. As matérias a seguir relatam de forma resumida a participação do Sindicato no IV FSM em três oficinas.

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Os passos da auditoria cidadã: uma experiência brasileira

A primeira oficina organizada pelo Unafisco, em conjunto com o Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM) e Campanha Jubileu Sul, foi realizada no dia 18 de janeiro e teve como título "Os passos da auditoria cidadã: uma experiência brasileira". A oficina visou difundir internacionalmente a experiência brasileira da auditoria cidadã da dívida. A mesa foi composta pelo diretor de Relações Internacionais do Unafisco, Eden Siroli Ribeiro, o economista da Campanha Jubileu Sul/Auditoria Cidadã da Dívida, Rodrigo Vieira de Ávila, e o advogado paraguaio Hugo Ruiz Diaz, do CADTM. Também participaram da oficina delegados de diversos países, englobando os quatro continentes.

O diretor do Unafisco coordenou o evento e expôs a experiência brasileira no tema da auditoria cidadã da dívida, criada a partir do Plebiscito Nacional da Dívida Externa, ocorrido em 2000, quando seis milhões de brasileiros votaram pela realização da auditoria prevista na Constituição de 1988. O economista da Campanha Jubileu Sul complementou a exposição sobre a experiência brasileira mostrando os estudos da auditoria cidadã, que revelaram informações sobre a origem da dívida e várias ilegalidades contidas na sua contratação. A exposição teve como base a cartilha lançada pelo Unafisco especialmente para o Fórum Social Mundial (disponível na página do Unafisco na Internet), que detalhou, em português e inglês, os passos trilhados pela auditoria cidadã, na perspectiva de que esse processo seja seguido pelos demais países em desenvolvimento.

Em seguida, o representante paraguaio, Hugo Ruiz Diaz, ressaltou as ilegalidades contidas no processo de endividamento dos países do Terceiro Mundo, ilustrando-as com a descrição do Processo Olmos Alejandro, ocorrido em um tribunal de Buenos Aires, que julgou ilegal a dívida externa argentina. No espaço reservado às intervenções do público, foram trocadas experiências entre os países com vistas à difusão dos instrumentos de auditoria da dívida.

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Justiça fiscal e social versus endividamento e lavagem de dinheiro

Na tarde do dia 19 de janeiro, o Unafisco, juntamente com o Sindicato Nacional Unificado dos Impostos (SNUI), da França, e a Ação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos (ATTAC), realizou a oficina "Justiça fiscal e social versus endividamento e lavagem de dinheiro", que buscou articular diversas entidades do mundo em torno da justiça fiscal e do controle do fluxo de capitais financeiros. Participaram da mesa a presidente do Unafisco, Maria Lucia Fattorelli, o secretário-geral do SNUI, Serge Colin, e os integrantes da "Tobin Tax Network - Inglaterra", Sony Kapoor, e da ATTAC-Brasil, Antônio Martins. Organizações de diversos países, entre eles França, Índia, Brasil, Espanha, Alemanha, Inglaterra, EUA, Uruguai, Guatemala, Togo, Congo e África do Sul formavam parte da platéia.

A representante brasileira abriu o evento, falando sobre a cartilha "Justiça fiscal e social X endividamento e lavagem de dinheiro", elaborada especialmente para o evento. Maria Lucia apresentou os principais pontos da cartilha, nas versões português e inglês, que trata da injustiça fiscal e social no Brasil, acentuada pela evasão tributária por meio da utilização de paraísos fiscais e práticas de lavagem de dinheiro. A cartilha também busca a união das entidades mundiais na luta pelo controle do fluxo de capitais financeiros, cuja atual liberdade de movimentação gera crises econômicas sucessivas.

Maria Lucia ressaltou que a reforma tributária do atual governo brasileiro aprofunda a injustiça fiscal no país, onerando cada vez mais trabalhadores e consumidores, enquanto desonera o grande capital, sobretudo o financeiro. Os bancos seguem lucrando cada vez mais e pagando cada vez menos impostos, enquanto o orçamento federal aumenta os cortes de gastos sociais - dentre os quais a supressão de direitos dos servidores públicos e sua defasagem salarial - desviando-se a maior parte dos recursos para o pagamento da dívida.

Serge Colin, do SNUI, expôs as políticas fiscais recentes na França e na União Européia, mostrando que a globalização dificulta o controle dos capitais financeiros, ao permitir que estes se movam mais rapidamente e de forma menos transparente. Essa facilidade de movimentação causou as grandes crises financeiras, como a asiática, em 1997. Durante o mesmo período, as políticas orçamentais e fiscais levadas a cabo nos países da OCDE agravaram o desequilíbrio entre a tributação do capital e a do trabalho, principalmente pelo aumento da tributação sobre o consumo. Isso conduziu à concentração de fortunas e patrimônios nas mãos de poucos, além da prática de absolver os evasores de riquezas em troca da repatriação de capitais. Após ter citado alguns números eloqüentes em matéria de fraude fiscal em diversos países europeus, o representante do SNUI denunciou as leis de anistia fiscal e chamou as entidades para a luta contra os paraísos fiscais e pela instauração da Taxa Tobin sobre os fluxos financeiros especulativos.

Este último ponto foi analisado mais detalhadamente pelo representante da "Tobin Tax Network", Sony Kapoor, que detalhou como a taxa seria implementada. Afirmou que são os povos que devem decidir sobre as políticas fiscais e os programas sociais (educação e saúde, entre outras) e que não se pode mais tolerar o lobby das multinacionais ou o intervencionismo permanente das instâncias internacionais, como o FMI ou o Banco Mundial. Por fim, o representante da ATTAC-Brasil, Antônio Martins, exprimiu seu desejo de ver instaurada rapidamente uma rede internacional que una os diversos atores do FSM interessados pelos assuntos em debate. Incentivou todos os participantes a multiplicarem os contatos e os debates sobre os temas da anulação da dívida, do controle dos fluxos de capitais, da eliminação dos paraísos fiscais, da instauração da Taxa Tobin e da instauração de um novo sistema financeiro internacional, a serviço do planeta.

Após as falas dos palestrantes, numerosos delegados, espontaneamente, tomaram a palavra para formular observações, perguntas e, sobretudo, demonstrar seu interesse por todos os assuntos abordados. Ao final do evento, o sentimento geral traduzia um impulso forte para a construção desta rede internacional almejada pela ATTAC-Brasil.

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Como financiar o desenvolvimento humano sem dívidas.

No último dia do Fórum, o Unafisco recebeu mais um convite para participar da oficina "Como financiar o desenvolvimento humano sem dívidas", realizada na tarde do dia 20 de janeiro e organizada pelo Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM). Na oficina, foi discutido como se daria o financiamento do desenvolvimento humano em um mundo sem dívidas. A coordenação ficou a cargo do integrante do CADTM, Arnaud Zacharie.

Em sua exposição, a representante brasileira destacou que a maioria dos países do Terceiro Mundo tem condições de garantir seu desenvolvimento, mas isso não ocorre principalmente por causa da sangria de recursos para o pagamento de dívidas ilegítimas. Ressaltou especialmente a importância da justiça fiscal para o financiamento do desenvolvimento dos países do Terceiro Mundo. A concentração de renda é cada vez mais acirrada pelos modelos que privilegiam os ricos em detrimento da maioria da população, citando alguns exemplos da legislação brasileira, como a dedução dos juros sobre o capital próprio. Mencionou também a necessidade de discutir as relações comerciais internacionais, pois os preços de nossas exportações - em sua maioria commodities - são regulados externamente e muitas vezes manipulados para atender a interesse do mercado financeiro, prejudicando a obtenção de divisas. Maria Lucia ressaltou também que a questão do endividamento deve ser definitivamente superada, iniciando-se pelo conhecimento completo desse processo por meio do mecanismo da auditoria da dívida, prevista na Constituição brasileira. Após as falas dos palestrantes, houve grande participação dos delegados africanos, que relataram a situação de seus países, semelhante à brasileira: "Quanto mais se paga a dívida, mais se deve", ressaltou um dos delegados.

Essa oficina fechou a participação do Unafisco no Fórum Social Mundial da Índia. Na avaliação do Sindicato, esse evento representou um grande avanço das forças sociais do mundo, que agora contam com o apoio maciço dos movimentos sociais asiáticos.


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DIRETORIA NACIONAL

 

Cartas enviadas aos ministros

Carta DS/Divinópolis

 

Unafisco volta a cobrar da Administração o pagamento de pendências financeiras
CCJ promove audiência pública sobre PEC Paralela
Sindicato tem audiência com Greenhalgh e Rands
Mosap não participa de cerimônia de posse de novo ministro da Previdência
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Unafisco fala sobre justiça fiscal e social no IV FSM
Os passos da auditoria cidadã: uma experiência brasileira
Justiça fiscal e social versus endividamento e lavagem de dinheiro
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